Alteridade: um princípio basilar da liberdade – Priscila Santos

Publicado em 09 de outubro de 2017

No contexto atual, a liberdade passa a configurar autonomia como forma de realização individual, sendo um dos principais direitos fundamentais existentes e cuja construção se dá de forma diferenciada em cada momento histórico da sociedade. A alteridade implica indivíduo que seja capaz de se colocar no lugar do outro em uma relação baseada na valorização das diferenças existentes.

Na medida em que cada individuo se reconhece como livre, é necessário também que haja uma consciência da contribuição do outro e a responsabilidade que esta assume. Essa conscientização não significa concordar com as opções do outro e nem tentar mudar o modo de ser de ninguém, e sim aceitar o direito do outro a ser diferente com suas opções. Diante disso, nota-se a necessidade de ser valorizada, entretanto, para que o indivíduo possa exercer
sua liberdade de forma plena, a alteridade. Uma busca por uma visão de mundo que tenha como concepção uma ideologia de ser humano além da importância das relações entre as pessoas.

Entretanto, não se deve confundir respeito com tolerância, pois deixa a entender que o pensamento de determinado indivíduo seja considerado como um defeito em relação aos próprios pensamentos. É que a sociedade cria uma falsa tolerância, fazendo com que as escolhas alheias se tornem reconhecidas desde que não perturbem a ordem social e que estas não sejam compartilhadas.

Por isso, quando se diz “ a liberdade de alguém termina quando começa a do outro” , trata-se de uma liberdade individualista que não suporta a presença do outro com suas escolhas e modos de vida. Contudo, a concepção de liberdade pressupõe que as pessoas sejam livres em relação aos outros, pois não podemos ter liberdade se os outros não a tem. E isso gera conflitos e aceitação consciente com seres iguais e diferentes.

Compartilhar

Acesso Acadêmico

Tamanho texto
Contraste